A CIDADE MUÇULMANA

A Época Muçulmana

Os Muçulmanos chegam à Península Ibérica em 711. Rapidamente, em apenas três anos, conquistam à monarquia visigótica grande parte do território peninsular. Os seus emires e depois califas instalam-se em Córdova. A velha Hispânia romana, dominada no século VII por reis visigodos convertidos ao catolicismo, dá lugar nos inícios do século VIII ao al-Andaluz, governado por um novo povo e uma nova religião.

Entre os séculos VIII e X a imagem das cidades altera-se. Constroem-se novos edifícios, religiosos e civis, e surgem novos gostos na arte e os modos de vida vão-se alterando. Novas formas de comer, de conviver, de rezar, uma nova estrutura política e social, vieram progressivamente mudar a cidade e o campo do al-Andaluz.

Surge uma nova numeração, uma nova língua e forma de escrita, novas palavras (que influenciaram as nossas palavras, como alecrim, algodão, azeite, limão, oxalá, entre muitas outras). No campo assistimos também a algumas mudanças, desde a utilização mais sistemática dos sistemas de regadio a que estão associados novos engenhos de elevação de água e novos instrumentos agrícolas, como um novo arado mais eficaz.

Tudo isto é parte do legado que a civilização árabe-islâmica nos deixou.

A Cidade de Laŷdāniyya

A integração da Egitania no al-Andalus é hoje ainda um mistério. Pode ter sido integrada através de um acordo ou através da conquista, caso as elites da antiga cidade tenham oferecido resistência ao novo poder. Mesmo que a cidade tenha sido em grande parte destruída no momento de conquista, teria sido reconstruída.

A sua integração implicou assumir-se como capital de uma kura, circunscrição territorial do al-Andalus, o que comprova a continuidade da sua importância à época. 

Foi então denominada de Laŷdāniyya ou Antanyya.

Desde a conquista que a cidade (e toda a região) terá ficado sob influência de tribos bérberes, nomeadamente os Taŷit, linhagem pertencente à tribo Māsmūda. A influência bérbere terá sido uma das razões para que a Idanha se veja envolvida por diversas vezes em rebeliões contra o poder cordovês ou em movimentos heréticos contrários à ortodoxia muçulmana dos governantes Omíadas. 

A arqueologia tem revelado alguns vestígios este passado islâmico da Idanha. Os arqueólogos já encontraram alguns vestígios, como é o caso de cerâmicas e uma belíssima moeda de prata, mas estes continuam a rarear neste lugar. São sobretudo as fontes documentais árabes e não tanto a arqueologia que revelam a importância da presença muçulmana em Idanha.

Saqyà al-Miknasī

Saqyà al-Miknasī era um berbere da tribo Miknasa, que terá iniciado por volta de 768, a partir da Idanha, um movimento religioso heterodoxo contrário ao emirato.

Rapidamente congregou vários apoiantes o que levou a uma revolta de larga escala. O resultado foi o assassinato de vários governadores leais ao emirato Omíadas e a derrota de tropas enviadas pelo emir Abd al-Rahman I.

A insurreição foi controlada pelo emir em 777, após um dos seguidores de Saqyà al-Miknasī o ter traído.

Ibn Marwan

Abd al-Rahman ibn Marwan, conhecido no seu tempo como al-Yilliqi, foi o mais famoso revoltoso que as fontes escritas correlacionam também com a zona da antiga Antanyya.

Ibn Marwan seria um muladi (cristão convertido ao Islão) proveniente de uma família oriunda da região de Mérida. Protagonizou várias revoltas contra o emir Muhammad I, entre 868 e 884, o que resultou no controle de um território que chegou, segundo as fontes islâmicas, do rio Douro ao Algarve.

Após a sua morte, em 889, os seus descendentes exerceram o poder na região até 930, altura em que os Marwan perderam influência política face aos avanços do califa Abd al-Rahman III.

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