A IDANHA NO TEMPO DE AFONSO III DAS ASTÚRIAS

A Reconquista cristã

Quando o rei asturiano Afonso III em 866 chega ao poder empreende, diretamente ou através da ação das famílias condais, uma série de conquistas de território a sul do rio Douro. As Crónicas Asturianas referem que neste ímpeto militar, Afonso III teria também atacado Idanha. Certamente que a revolta de ibn Marwan terá ajudado ao sucesso das campanhas asturianas na região. Não sabemos, todavia, se efetivamente a antiga cidade teria sido integrada na esfera política asturiana.

Foram décadas de intensas lutas com avanços e recuos de exércitos e de forças de poder. Situada numa zona de fronteira, Idanha terá sofrido razias e destruições. A partir de então começa a perder população e o seu estatuto urbano.

O Bispo Tomiando

No tempo do rei Afonso III há a referência a um bispo de Idanha de nome Tomiando que estaria no cargo em finais do século IX. Esta menção não significa necessariamente que o bispo estivesse na Idanha.

Nesta época era comum que na corte asturiana habitassem vários eclesiásticos que assumiam as cátedras episcopais como forma de legitimar a conquista efetiva dessas antigas dioceses visigodas por parte dos reis asturianos. O bispo Tomiando pode ser um desses casos. Teria a cidade outro bispo local cujo nome e a memória se perdeu?

O incerto século X

Os séculos X e XI são praticamente desconhecidos na Idanha. São tempos marcados por avanços e recuos de cristãos e muçulmanos.

A única fonte para este período e de que apenas conhecemos cópias tardias é a denominada Crónica do Mouro Rasis, escrita pelo geógrafo muçulmano Almad al-Razi, e transcrita para português no tempo de D. Dinis. Almad al-Razi, descreve os limites do território de Antanyya e refere que na cidade viveriam cerca de mil habitantes, mencionando que era uma cidade "muito antiga, situada sobre o Tejo, forte e bem-dotada, com um território bem provido de cereais, de vinhas, de caça e de peixes e um solo fértil".

O califa cordovês Abd al-Rahman IIII (929-961) consegue fortalecer o estado islâmico e submeter territórios revoltosos. Até ao final do século o poder muçulmano chega até ao rio Douro, sendo conhecidos os feitos militares de al-Mansur, ministro do califa Hisham II, que lançaram o pânico nas hostes cristãs.

Nos inícios do século XI as fações contrárias ao califado ganham força e conseguem fazer cair o califa, fragmentando o al-Andaluz em vários reinos menores. Antanyya integrou a Taifa de Badajoz, estabelecida em 1022, um dos maiores reinos então formados.

A velhinha Idanha continuará a ser terra de fronteira até ao século XII, o que agravou a perda de importância política e religiosa.

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