
A IDANHA E A FORMAÇÃO DO REINO DE PORTUGAL
D. Afonso Henriques, o primeiro Rei Português
O reino taifa da Badajoz cairá face à pressão de uma dinastia berbere estabelecida no Norte de África, os Almorávidas. Em 1086 os exércitos almorávidas entraram na Península Ibérica para fazer frente aos avanços do rei leonês Afonso VI (avô de D. Afonso Henriques), mas rapidamente submetem também os reinos taifa.
Novas revoltas e novo fracionamento do espaço islâmico ocorre na primeira metade do século XII o que facilita a conquista cristã.
Em 1147 a linha de fronteira avançava definitivamente para o vale do Tejo, pela mão do primeiro rei português. É com D. Afonso Henriques que a Egitania se torna lugar de Templários, ao ser doada à Ordem do Templo, em 1165.
Trata-se de uma das maiores doações que o rei faz a uma ordem militar. A doação incluía um território extenso que hoje corresponde sensivelmente à região da Beira Baixa. O castelo Templário mais importante daquele território já não foi o da Idanha, mas sim o altaneiro castelo de Monsanto, o que revela a perda de importância política e estratégica da antiga cidade.
Na segunda metade dos séculos XII a Idanha estava integrada no recém-formado reino português. Conforme a conquista portuguesa foi avançando para Sul, a Idanha foi-se distanciando da linha de fronteira, mas estava cada vez mais despovoada e perdera o brilho de outrora.
Os Templários
Na carta de doação de D. Afonso Henriques aos Templários datada de 1165, rei escreveu:
“Afonso, notável rei […] filho de Henrique e da Rainha D. Teresa e neto do grande e ilustríssimo Imperador de Espanha, por nós ao mestre Galdino e a todos os Irmãos da Ordem dos Templários que estão no meu reino, faço uma vasta e fortíssima doação da região da Idanha[-a-Velha] e de Monsanto com os limites: seguindo o curso da água do rio Erges e entre o meu reino e o de “Legiones” até entrar no [rio] Tejo e da outra parte seguindo o curso da água do [rio] Zêzere que igualmente entra no Tejo (...)”.
É possível que a Idanha não tenha permanecido nas mãos dos Templários muito tempo já que D. Sancho I fará nova doação em 1197 em troca dos castelos de Mogadouro e Panas Roías. Nova doação em 1203 mostra que a posse Templária da Idanha ainda não era definitiva. A Idanha-a-Velha, juntamente com a Idanha-a-Nova, volta a ser doada em 1218 por D. Afonso II a D. Pedro Alvito, mestre da Ordem do Templo. Mas em 1229, D. Sancho II, pressionado por Roma, acaba por doar a velha Egitânia a D. Vicente, então bispo da Guarda, sob a condição de povoar e reerguer a antiga cidade.
Mas a velha Egitania estava definitivamente em decadência. No foral dado a Idanha‑a‑Velha em 1229, D. Sancho II menciona: “mandei povoar de novo esta cidade de Idanha há muito tempo deserta devido aos inimigos da Fé”. A pressão do rei e do bispo não surte efeito e a 16 de dezembro de 1244 a Idanha-a-Velha volta à posse dos Templários, após a doação de Sancho II ao Mestre Martim Martins, que estaria à frente da Ordem desde 1242. Data do seu tempo a torre do castelo que hoje ainda podemos visitar na Idanha.
A mudança do bispado
O derradeiro sinal da perda de importância da antiga cidade dá-se com a perda da sede de bispado no final do século XII. D. Sancho I, com a autorização do papa Inocêncio III, irá transferir a Sé Egitaniense para a cidade da Guarda, em 1199. O nome da cátedra episcopal é preservado, transferindo o prestígio da antiga diocese suevo-visigoda para uma nova cidade, então poderoso bastião da defesa de fronteira do novo reino.
Cerca de mil e duzentos anos depois da fundação da Idanha romana, na passagem para o século XIII, os tempos eram outros, muito diferentes. Um novo reino afirma-se, surgem os concelhos e novos centros de poder, como Idanha-a-Nova, sede concelhia desde 1206.
Uma nova fronteira é traçada. Já não entre cristãos e muçulmanos, mas entre Portugal e de Leão e Castela. E surgem novas estradas que ligam as novas aldeias e vilas medievais. A antiga estrada romana que vinda de Mérida passava por Idanha-a-Velha perdeu importância. A velha cidade de Idanha, o lugar mais importante entre o Tejo e o Douro no atual interior português durante quase de mil e duzentos anos, deixou de o ser.




